Fenomenologia: diálogos possíveis

Esta obra reúne textos que discutem a fenomenologia e suas contribuições para várias áreas do conhecimento. Seu objetivo é discutir esse tema e seus possíveis diálogos com outras formas de saber, em especial com a saúde, a matemática, a psicologia, a educação e a literatura. As reflexões apresentadas pelos autores, que são pesquisadores de diversas universidades brasileiras, representam um esforço para ampliar o debate sobre a fenomenologia e estimular novas pesquisas que tenham essa perspectiva filosófica como referência.

1a edição
Novembro/2011
R$43,00
Preço de capa
978-85-7516-510-2
ISBN
218
Páginas
14 x 21 cm
Formato
Português
Idioma
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Exclusivo para Professores

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Sumário

Apresentação

Parte I – A Fenomenologia em Questão

Capítulo 1
Fenomenologia e a Teoria do Conhecimento em Husserl
Urbano Zilles

Capítulo 2
A Questão do Método nas Ciências Humanas: a compreensão como existencial em Heidegger e Gadamer
Wanderley J. Ferreira Jr.

Capítulo 3
Fenomenologia, Modernidade e o Retorno às Coisas Mesmas
José Ternes

Capítulo 4
O Ser e o Nada de Sartre: notas para uma leitura fenomenológica
Ildeu Moreira Coêlho

Parte II – Fenomenologia, Ciências e Educação

Capítulo 5
Fenomenologia e Psicologia: vinculações
Adriano Holanda
Joanneliese de Lucas Freitas

Capítulo 6
Fenomenologia e Matemática
Maria Aparecida Viggiani Bicudo

Capítulo 7
O Tema da Morte e sua Interface com a Educação em Enfermagem: uma perspectiva fenomenológica
Magali Roseira Boemer

Capítulo 8
Fenomenologia e Educação
Adão José Peixoto

Parte III – Fenomenologia e Literatura

Capítulo 9
Manuelzão, o Outro Imagens e Escritos Sobre como o Outro Acontece
Carlos Rodrigues Brandão

Capítulo 10
O “...Poeticamente o Homem Habita...” Hölderlin-Heideggeriano e as Possibilidades da Literatura
Roberto Antônio Penedo do Amaral

Sobre os Autores

Orelha

José Ternes
Modernidade da música, modernidade da dança, modernidade da medicina, revoluções científicas modernas. Bachelard nos mostra o que significa a geometria tornar-se não euclidiana, a mecânica, não newtoniana, a filosofia não cartesiana, e outros tantos acontecimentos do não. Modernidade, aqui, é mais do que simples aggiornamento.
Muda o ser mesmo do pensamento [...] Hoje se pede outra coisa a nossos sábios: que sejam apenas modernos. Absolutamente modernos. Vale dizer: às coisas elas mesmas. Forma atribuída a Husserl, sem dúvida. Mas essa autoria perde ênfase, aqui. Muitos estranharam a afirmação de Foucault de que Marx e Ricardo partilhavam o mesmo solo epistemológico, encontravam-se, ambos, bastante confortáveis nas águas do século XIX. Essas águas talvez sejam muito mais amplas. Estendem-se século XX adentro. O retorno às coisas configura, mais que um método, uma atitude, um engajamento intelectual. A episteme moderna me parece, então, decididamente fenomenológica.

Adriano Holanda e Joanneliese de Lucas Freitas

Husserl defenderá ao longo do seu trabalho que a psicologia fenomenológica “pretende ser o fundamento metódico sobre o qual se possa por princípio erigir uma psicologia empírica cientificamente rigorosa” (Husserl, 1992, p. 35). A psicologia puramente fenomenológica seria o princípio de uma psicologia empírica exata, bem como desvela a essência da fenomenologia transcendental. Pela redução eidética, poderíamos ter acesso às configurações essenciais da consciência e, então, alcançaríamos a possibilidade de uma “psicologia pura”, assim como há a “lógica pura” ou a “matemática pura”.

Adão José Peixoto
A educação, na perspectiva fenomenológica, não compreende o homem apenas como corpo ou razão, social ou individual, razão ou emoção, sentidos ou intelecto, objetivo ou subjetivo, mas como totalidade, valorizando todas as suas dimensões: corporais, intelectivas, sociais, emotivas, imaginativas. É uma concepção que aponta para a necessidade de uma educação integral, que se preocupa com a formação teórica, política, ética, estética, corporal e profissional. Além de se opor à fragmentação da realidade, a fenomenologia se opõe também à pretensão de objetivação e de naturalização, instituídas pelo empirismo e pelo positivismo que apreendem, por exemplo, a educação como coisa, fato, objeto, situando-a no plano do previsível, do pré-visto, do quantificável, da instrumentalidade, reduzindo-a, com isso, ao estabelecimento de objetivos, metas, planejamento, quantidade e produtividade. Diferentemente dessa concepção, a fenomenologia percebe a educação como expressão humana e, portanto, do imprevisto, do inacabamento, da criação, da subjetividade, da crítica, da busca do sentido.

Roberto Antônio Penedo do Amaral

Data dos anos 1934 e 1935 o início dos seminários de Heidegger a partir da poesia de Hölderlin. No entanto, ele esclarece que a importância da poética hölderliniana está para além de ser tomada como um mero estudo literário para fins especificamente críticos e/ou acadêmicos. Na verdade, segundo Heidegger, Hölderlin aponta, através de sua obra, para a possibilidade do estabelecimento de um espírito irruptivo como alternativa aos ditames do racionalismo, cuja indigência provém sempre de um entendimento unilateral e enviesado (Hölderlin, 1994).

Referencia

PEIXOTO, Adão José (org.). Fenomenologia: diálogos possíveis. Campinas: Alínea, 2011.
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