O que é proposto neste projeto não é, propriamente, um ensino de filosofia, mas uma educação para o filosofar. Não se forma um nadador ou um ginasta com instruções sobre as técnicas ou os feitos de grandes nadadores ou ginastas. Do mesmo modo, educar para perguntar, argumentar, conceituar, como forma de refletir sobre questões e significados de fundo, não pode ser resultado de um ensino a partir do registro e das opiniões de filósofos ou pensadores. Heidegger, em seu famoso O que é isto, a Filosofia?, já nos alertava: Uma coisa é registrar e descrever opiniões de filósofos; outra coisa completamente distinta é discutir o que eles dizem, isto é, aquilo de que eles falam. Disso se segue que a história da filosofia e a da tradição dos grandes pensadores tem seu lugar, que é o de referência e de alimento para o pensamento e a reflexão, desde que esta já se encontre instrumentalizada e ambientada na vida presente.
O filosofar que pretendemos está vinculado à história presente, ao cotidiano, à vida pulsante, aos interesses e motivações dos desafios atuais, em especial, àqueles vividos pelas crianças. Ainda é Heidegger que nos aponta o caminho a seguir: filosofar é repensar o já pensado para pensar o ainda não pensado. Assim, o filosofar está no presente, serve-se do passado e olha para o futuro.

1a edição
Fevereiro/2008
R$53,00
Preço de capa
978-85-7516-204-0
ISBN
278
Páginas
140x210 mm
Formato
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Sumário

Apresentação

Parte I.
Conceitos para o Domínio da Prática do Filosofar

Capítulo 1.

Educação para o Filosofar: da palavra encantada para a palavra dialogada

Capítulo 2.
Histórias da Literatura Infantil e a Educação Filosófica

Capítulo 3.
A Emergência do Filosofar a partir da Imaginação Criativa

Capítulo 4.
Os Procedimentos Básicos da Prática Filosófica em Sala de Aula: as quatro pedagogias

Capítulo 5.
Currículo de uma Educação para o Filosofar: eixo de formação humana em ética e cidadania

Capítulo 6.
Habilidades Reflexivas: ferramentas para pensar e para refletir

Capítulo 7.
Prática de Habilidades Cognitivas: sugestões para atividades em grupo

Capítulo 8.
Prática de Habilidades Cognitivas: sugestões de atividades com poesias, imagens e músicas

Capítulo 9.
Habilidades Cognitivas Especiais: inferir e interpretar

Capítulo 10.
Preparação para o Início da Aula de Filosofia: sugestões de exercícios de relaxamento, atenção e concentração

Capítulo 11.
Sugestões de Avaliação a partir de um Currículo Mínimo de Educação para o Filosofar

Capítulo 12.
A Aula de Educação para o Filosofar ferramentas didáticas

Parte II.
Guia de Trabalho: Sugestões para a Prática do Filosofar em Sala de Aula


Capítulo 13.
Como Filosofar a partir de Histórias que Rendem Boas Conversas

Referências

Bibliografia de Apoio

Orelha

A curiosidade infantil é naturalmente geradora de perguntas e, entre estas, insinuam-se aquelas que, antes de formuladas, parecem ter respostas óbvias, mas que depois de feitas engasgam a inteligência, ou empurram-na para um labirinto de infinitas possibilidades de respostas. Quem sou eu? O que é a vida? O espaço tem fim? Quanto tempo o tempo tem? - e assim por diante. Tais perguntas, quando não censuradas, estimulam a capacidade inata de reflexão.

As crianças refletem sobre o que parece óbvio, mas não na hora em que se espera. Perguntar, explicar, refletir, pensar são, para elas, atividades tão naturais quanto andar, caminhar, respirar, comer, beber, brincar. Todas essas atividades são formas de vida, com a diferença, talvez, de que as primeiras são atividades cujos significados dirigem-se à consciência, em primeiro lugar.

A curiosidade infantil é, assim, para além da experiência motora ou emocional, um convite à experiência reflexiva, em que a imaginação impulsiona a criatividade pelas trilhas do que hoje sabemos tratar-se genuinamente da prática do filosofar.

A imaginação e a criatividade infantis buscam o filosofar naturalmente, assim como a sede e a imagem da água aguçam a sensibilidade para buscar o prazer de beber. Nesse sentido, a imaginação e a criatividade naturais da criança são consideradas, neste projeto de Filosofia para a Criança, como as duas trilhas de uma educação para o filosofar.

O que é proposto neste projeto não é, propriamente, um ensino de filosofia, mas uma educação para o filosofar. Não se forma um nadador ou um ginasta com instruções sobre as técnicas ou os feitos de grandes nadadores ou ginastas. Do mesmo modo, educar para perguntar, argumentar, conceituar, como forma de refletir sobre questões e significados de fundo, não pode ser resultado de um ensino a partir do registro e das opiniões de filósofos ou pensadores. Heidegger, em seu famoso O que é isto, a Filosofia?, já nos alertava: “Uma coisa é registrar e descrever opiniões de filósofos; outra coisa completamente distinta é discutir o que eles dizem, isto é, aquilo de que eles falam”. Disso se segue que a história da filosofia e a da tradição dos grandes pensadores tem seu lugar, que é o de referência e de alimento para o pensamento e a reflexão, desde que esta já se encontre instrumentalizada e ambientada na vida presente.

O filosofar que pretendemos está vinculado à história presente, ao cotidiano, à vida pulsante, aos interesses e motivações dos desafios atuais, em especial, àqueles vividos pelas crianças. Ainda é Heidegger que nos aponta o caminho a seguir: “filosofar é repensar o já pensado para pensar o ainda não pensado”. Assim, o filosofar está no presente, serve-se do passado e olha para o futuro.

Referencia

CUNHA, José Auri; D'ANGELO, Renata Adrião; DURAN, Sueli Forti; MORO, Neuza. Filosofia para a Criança. Campinas: Alínea, 2008.
Outros livros do(s) autor(es)
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